Novidades

CONTROLE DE INFECÇÃO NO CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO: COMO GARANTIR SEGURANÇA À SAÚDE DE PACIENTES E PROFISSIONAIS.

Discutir a segurança à saúde das pessoas envolvidas no trabalho odontológico é sempre oportuno por se tratar de uma prática clínica permeada de riscos potencialmente causadores de acidentes e doenças. Neste contexto, a biossegurança em Odontologia pode ser definida como o conjunto de ações que visam prevenir, minimizar e eliminar estes riscos protegendo profissionais e pacientes.

Os consultórios odontológicos estão expostos a uma grande quantidade de microorganismos patogênicos veiculados pelo ar, sangue e saliva, que representam uma possibilidade significativa da ocorrência de um efeito adverso para a saúde. Quanto maior o número de pacientes atendidos, maior a chance da ocorrência de contaminação, e por isso as medidas de precauções padrão para o controle de infecção devem ser incorporadas a todos os procedimentos clínicos realizados pelo cirurgião-dentista e sua equipe.

Mas, qual seriam as principais medidas de biossegurança para o controle de infecção que devem ser aplicadas na clínica odontológica?

De acordo com o CDC (Center for Disease Control and Prevention), um controle de infecção efetivo exige conhecimento sobre os riscos de contaminação e suas formas de prevenção, através de ações de educação para a saúde com informações atualizadas e embasadas cientificamente. Desta maneira, os recentes regulamentos técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) , bem como importantes publicações científicas sobre biossegurança em Odontologia, preconizam 5 medidas principais de precauções padrão para o controle de infecção:

1)     Imunização: vacinação de todos os profissionais que atuam no consultório, de acordo com o calendário nacional de vacinas vigente para cada região do Brasil. As vacinas mais importantes são hepatite B, tríplice viral, dupla adulto e influenza.

2)     Higienização das mãos: que representa uma das medidas mais importantes para reduzir o risco de transmissão de microorganismos. Vale lembrar que o uso de luvas não substitui a higienização das mãos.

3)     Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI): a sua utilização é considerada um dever de todos os profissionais da equipe odontológica, durante todo e qualquer procedimento clínico e de limpeza ou desinfecção de artigos. Estes equipamentos devem apresentar certificado de aprovação (CA) emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), satisfazendo os requisitos mínimos de qualidade estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

4)     Esterilização e desinfecção de artigos: devem seguir um fluxo padronizado de procedimentos estabelecidos por protocolo ou linha guia, contendo a sequência de passos (limpeza-enxágue-inspeção visual-secagem-esterilização-armazenagem). Além disso, todo o processo de esterilização deverá ser monitorado por meio de indicadores químicos e biológicos e a improvisação de qualquer uma de suas etapas tornam-o inválido, oferecendo risco de contaminação cruzada.

5) Gerenciamento de resíduos odontológicos: a separação, transporte e encaminhamento inadequados dos resíduos gerados durante os procedimentos odontológicos podem causar acidentes de trabalho com contaminação dos profissionais por doenças graves, tais como o HIV e a hepatite B. Cuidado especial deve ser tomado quanto ao limite da quantidade de resíduos perfurocortantes depositados na caixa rígida (não deve ultrapassar a linha pontilhada).

As resoluções sanitárias nacionais e internacionais preconizam que para uma abordagem segura, todo paciente deve ser considerado como potencial portador de algum tipo de infecção. Além disso, Silva e colaboradores (2009) ressaltam a importância de se construir protocolos de Biossegurança para o consultório odontológico como ferramenta importante para orientar cirurgiões-dentistas, técnicos e auxiliares em saúde bucal, organizando o processo de trabalho e diminuindo os riscos de contaminação cruzada.

Assim, o objetivo deste artigo foi de apontar os principais aspectos do controle de infecção na Odontologia, no intuito de convidar os colegas a uma reflexão quanto a nossa responsabilidade na realização de uma prática odontológica com qualidade, capaz de garantir segurança para a nossa saúde, de nossa equipe e de nossos pacientes.

 

  Vanessa Bacelar de Souza Verdolin
  Mestre em saúde Coletiva, professora da disciplina de Biossegurança do Instituto Federal do Paraná.

 

Referências:

1. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Serviços Odontológicos: Prevenção e Controle de Riscos. Brasília. ANVISA; 2006.

2. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 15. Dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde e dá outras providências. Brasília. ANVISA; 2012

3. Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 32. Dispõe sobre a segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde. Brasília. 2011

4. Centers for Disease Control and Prevention. CDC. Divison of Oral Health. Disponível em: http://www.cdc.gov/oralhealth/infectioncontrol/ . Acessado em: 20/11/2015.

5. Silva A S F; Ribeiro M C; Risso M. Biossegurança: em odontologia e ambientes de saúde. 2ª ed. Ícone Editora. São Paulo. 2009.

  • POR Nova DFL
  • TAGS

Comentários



Certificações Nova DFL - BPF

×

Certificações Nova DFL - ISO 9001:2008

×

Certificações Nova DFL - CE

×

Certificações Nova DFL - ISO 13485:2012

×